sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Durante um segundo

12 horas, 34 minutos e 56 segundos, do dia de hoje, 07/08/09, fez-se a sequência numerológica de 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8 e 9.
Não. O mundo não acabou e isso não mudou a vida de ninguém. Aliás, poucos foram os que perceberam a curiosidade.

Engraçado, eu parei pra prestar atenção. Coisa de idiota, não é? Não, não é. Durante o único segundo em que isso ocorreu, eu me vi parada, olhando pro relógio e pensando: "só as pessoas que viverão daqui a 1000 anos poderão presenciar isso de novo. Esse momento é único." Foi um segundo que rendeu uma particularidade.

Durante as outras horas, os outros minutos e outros segundos depois disso, continuei minha vidinha de sempre. Pedir a paciência, fiquei com raiva, triste... Enfim, passei por outros tantos segundos cheios de particularidade e eu nem percebi. Apenas deixei minha ingratidão, por Aquele que me deu o tempo e a possibilidade da vida eterna, preencherem algo que, talvez, nem daqui a 1000 anos outras pessoas poderão vivenciar.
Coisa de idiota, não é? É, talvez seja.


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sexta-feira, 31 de julho de 2009

Minha cidade

Pessoas são como cidades. Um conjunto arquitetônico de avenidas e vilas, cruzamentos e semáforos, praças com árvores que disfarçam a dureza do concreto, maternidades onde o nascimento contrasta com aquele cemitério, construído do outro lado, onde os mortos são deixados na esperança da ressurreição. Tudo isso compõe a cidade que somos.
Penso nos que passam por mim. Nos que visitam a minha cidade. Será que entram pelo portal principal ou pelo cemitério? Não sei. O que sei é que nesse constante ir e vir, ninguém sai sem acrescentar algo a minha cidade, nem, tampouco, sem levar algum dos meus artesanatos tão característicos.

Atenção! Minha cidade está de portas abertas. Sem muros, sem portas. Venha quando quiser, venha quando precisar. Mas, para que a sua estadia seja agradável a nós, queria deixar claro: minha cidade não é perfeita. Mas, pensa bem, assim é até melhor. Tudo limpo, lindo e funcionando bem, deve ser entediante, concorda?
Minha cidade tem que ser limpa sim, mas não a ponto de não possuir manchas.
Ser bonita também é bom, mas não excessivamente. Me parece fundamental umas expressões no rosto, um nariz com personalidade, uma cicatriz na testa. Ah, também quero que minha cidade funcione bem, mas sem ser previsível. De vez em quando, sem abusar muito, ser ligeiramente passional, fazer alguns julgamentos, cometer alguns erros e pedir desculpas depois, pedir desculpas sempre.

Pessoas, como cidades, devem dar vontade de visitar, devem nos querer fazer voltar. E, garanto, minha cidade vai fazer o possível pra ser assim para cada visitante.

Minha cidade está de portas abertas. Venha quando quiser, venha quando precisar. Só não venha, sem esquecer o aviso que dei. Repito, minha cidade tem rachaduras internas, algumas máculas e um tempo imprevisível. Mas são falhas que eu agradeço, pois me humanizam. E essa humanidade, acredite, pode te fascinar.

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domingo, 28 de junho de 2009

O caderninho do meu Amigo

Todo dia, quando passo pela sala da minha casa, vejo a Bíblia aberta, lá na cômoda, como se preparada pra que eu a pegasse, mas servindo apenas de enfeite...

Eu me lembro que quando criança, eu tinha um caderninho onde eu sempre guardava meus segredos. Quando ficava apaixonada, escrevia uma coisinha, desenhava outra. Frases e pensamentos que eu tanto gostava e, até, minhas composições musicais estavam sempre lá. E eu tinha um cuidado especial com ele. Não era qualquer pessoa que eu deixava abrir, porque podia ser que o outro viesse sem muito respeito. E às vezes, eu tinha até vergonha de que alguém que não respeitasse meus sentimentos pudesse ler as minhas coisas.
Penso nas pessoas as quais eu deixaria abrir e folear as páginas que tanto são especiais para mim. Quantas vezes a gente deixa de ser verdadeiro por temer o julgamento do outro. É por isso que a gente precisa de amigos nessa vida. Acredite, não é clichê, só os verdadeiros amigos saberão mexer na nossa intimidade sem que a gente se envegonhe tanto.
E Jesus tinha essa capacidade de mexer nas páginas mais vergonhosas das pessoas, sem que isso de fato as envergonhasse. Porque Jesus era mestre em criar intimidade.

Sabe, hoje eu quero abrir meu caderninho nas páginas onde eu guardo coisas que eu não conto para ninguém, e deixar meu Melhor Amigo ler. Vou colocá-lo aberto sob a cama, e nós vamos entrar pela madrugada foleando minha intimidade. Vai ser a nossa comunhão.
E depois, vou dormir feliz, na certeza de que quando acordar e passar pela sala, o caderninho do meu Amigo, vai estar lá, aberto, sob a cômoda, me esperando. E eu vou mexer na intimidade dEle, e Ele não vai se envergonhar de mim, pois nós somos verdadeiros amigos.


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quarta-feira, 29 de abril de 2009

I dreamed a dream


Gostaria de ter escrito sobre ela desde que tomei conhecimento do seu vídeo, no Youtube. Por circunstâncias adversas, escrevo apenas agora, mas ainda com a mesma emoção que me invadiu ao vê-la pela primeira vez.

Ela tem como companheiro apenas seu gato “Peebles”. Nunca teve namorado. Caçula de uma família de nove irmãos, Susan Boyle nasceu de um parto complicado em que sofreu falta de oxigenação, deixando-a com uma grave sequela: dificuldades de aprendizado. Por conta disso, tornou-se alvo de chacotas e brincadeiras maldosas de outras crianças quando frequentava a escola. Cresceu, envelheceu e teve na música o seu único alento na vida. Porém, com problemas de auto-estima, nunca apostou em seu talento natural. Inscreveu-se, enfim, para participar de um "programa de calouros" dois anos após a morte de Bridget, sua mãe, em 2007. Ela era fã do programa e dizia que, se um dia Susan fizesse sua inscrição no reality show, seria vencedora. Disse Boyle: “Eu nunca acreditei que era boa o suficiente. Foi só após a morte da minha mãe que tomei coragem para fazer minha inscrição. Foram tempos difíceis, sofri de depressão e ansiedade. Mas após a escuridão vem a luz. Queria que minha mãe tivesse orgulho de mim, e a única maneira de fazer isso foi correndo o risco de participar do show.”

Em resumo, essa é a vida e a história de Susan Boyle, a mulher que virou celebridade depois de sua participação no Britains Got Talent. Em particular, meus olhos ainda são sensíveis a luz que erradiava daquela mulher. Basta lembrar dela, naquele palco, no alto dos seus 47 anos, que pareciam alguns mais, desengonçada, mal vestida, desempregada e feia. E ali, diante daquela platéia, daqueles jurados, estava ela de pé, dizendo que ia cantar. Com esses mesmos olhos que hoje se emocionam ao lembrar, julguei-a. Julgou-a aquela platéia. Julgou-a aqueles jurados. Assim caminha a humanidade, não é? Até o momento em que a nossa miopia emocional humana, cheia de incredulidade, soltou um múrmurio de encantamento ao vê-la cantar. Simplesmente cantar. Cantar sobre sonho. Aliás, nem sei mais se era Susan que cantava o sonho, ou se o sonho se abria na voz dela... A única coisa que sei, é que vi naquela moça simples e feia, a beleza e a luta de milhares de mulheres sonhadoras que merecem amar e viver.
E agora fica a pergunta: Susan Boyle feia? Ou somos nós?

domingo, 5 de abril de 2009

Moeda mágica


Desde cedo, quando acordei, o coração já palpitava de ansiedade. Mas nada daquela ansiedade boa. Era um misto de ansiedade e aflição. Eu tinha uns 5 ou 6 anos, não sei. Só sei que viajar de ônibus para mim, era com uma tortura. Aquele balanço inquietante, as paradas intermináveis, tudo contribuia para o meu enjôo.
Então, ao entrar no ônibus com minha mãe, ela já percebendo minha angústia transparecer na força com que eu me agarrava no braço da cadeira, disse: "tá vendo essa moeda aqui? Se você segurar ela com toda sua força, durante toda a viagem, você não vai vomitar. Mas não pode soltar, hein?!" Eu sorri enternecida. "Uma moeda mágica", pensei. Peguei-a e não soltei mais.
Do meio para o fim da viagem, nenhuma ânsia havia me tormentado. Eu estava até mais confiante. Podia até abrir um pouco a mão, e dar uma olhada naquela moeda prata de cinco centavos. Mas por via das dúvidas, mão me desgrudei da minha salvadora.
Até que então, ele veio. Senti o enjôo dando pontadas no mais íntimo do meu estômago. "A moeda, a moeda, a moeda", só conseguia pensar nela. Então segurei-a. Segurei com toda força que aquela mãozinha me permitia dispor. Não quis que minha mãe desconfiasse de nada. Seria trágico. A moeda mágica dela teria falhado? Dirfacei e continuei a apertar aquela moeda. Enquanto segurava, percebi que aos poucos eu ia me sentido normal. A mágica deu certo. Meu enjôo passou e eu prossegui a viagem, rindo para mim mesma.
Naquele momento eu não entendia. Mágica era uma boa explicação. Hoje sei, que ali, naquele momento, aquela criança sincera e de desejo profundo havia descoberto o significado da palavra "fé." Era isso.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Um choro


Você tá ouvindo? Não?
Não, não é essa musiquinha que sai da sua árvore de natal... Parece um choro. Um choro de criança... Sei lá, um choro abafado.
Olha, parece loucura, mas é como um choro de criança que está prestes a nascer.
Pra você não faz sentido? Tá me achando louca, não é?
Se ao menos você pudesse ouvir... Se você fizesse esse seu Papai Noel parar de rir, esse "Jingle Bell" cessar por um momento, talvez você não estivesse tão surdo!
Que droga! Pra quê esses 'piscas-piscas' acesos o tempo todo, em todo lugar? É só esse tanto de brilho que você consegue ver com esses seus olhos tão apagados, não é?!

Alguém tem que ouvir. Eu não tô ficando louca.
O quê? Aonde eu vou?
Eu vou sair por aí, vou ouvir esse choro mais de perto. Eu quero conhecer essa criança.
Você não percebe? O milagre da vida vai acontecer. O milagre da vida do Tudo que se fez nada, pelo nosso nada. E você aí pendurando enfeite nessa árvore de plástico.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Nathalia

Quando criança, Nathalia vivia a repetir: "quando eu crescer, quero ser comediante, pra fazer todo mundo rir!" Ela bem que ensaiava o seu sonhado futuro. Mas nenhuma pessoa grande, jamais botou fé nisso... achavam-na tímida demais. E ela ficava triste por não entenderem sua poesia.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

É só poda


Foi necessário um bom tempo pra ele perceber, que sua árvore predileta deixara de dar frutos. Os ramos estavam enormes, ocupavam cada vez mais espaço. A árvore continuava linda, é fato. Um aglomerado de folhas verdes. Mas só.
Sua natureza estava se perdendo. Então, deixando de lado o medo de machucá-la, ele a podou. Podou com convicção e carinho, ao mesmo tempo, como se tentasse fazer a árvore entender, que era para o seu crescimento futuro. Para que ela voltasse a dar frutos...
Ele é Deus. Agricultor apaixonado. Sua árvore predileta, no fim das contas, são tantas. Somos eu e você.
Essa é a analogia do nosso tempo de sofrimento: a poda.

Lembro-me da época em que eu jogava futsal. Era goleira. Então, no jogo, quando vinha aquela jogadora com tudo pra cima de mim, eu endurecia o corpo e esperava o encontrão. Era ematoma pra todo lado, pé, mãos, dedos torcidos... Até que eu decidi, depois de muito tempo, mudar de tática para não me machucar tanto. Aí, quando a jogadora vinha com força pra cima de mim, eu não resistia, soltava o corpo, e na hora do encontrão, dava um pulinho. Eu caia, rolava pelo chão, mas me levantava ilesa.

Penso que esse esbarrão e a hora da poda podem ser superados dessa forma...
Dar um pulinho e não bater de frente é uma boa tática. O sofrimento diminui e a resistência para levantar da queda é bem maior.
Que seja assim. Que minha maturidade saiba aceitar as podas. Que os meus amores sejam o impulso para o meu pulo. Enfim, que a minha natureza de dar frutos não seja perdida.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

59x0


Hoje, como todos os anos, aconteceu mais uma "importantíssima" disputa, nos EUA, para ver quem comia a maior quantidade de hot-dogs. Joey Chestnut venceu, mantendo assim o título recebido no ano passado. Ele devorou 59 cachorros-quentes em dez minutos. Houve então um empate técnico entre Chestnut e Kobayashi. O resultado foi definido depois que os dois finalistas devorarem mais cinco sanduíches cada um.

Para se ter uma idéia da grandeza do evento, no ano passado, quando Joey venceu pela primeira vez, o jornal "The New York Times" escreveu uma reportagem comentando seu feito, no qual afirmava que o novo "rei dos hot dogs" era um herói nacional.
Olhando assim, parece que tudo é normal. Normal forçar alguém a comer 59 sanduíches quando a cada 3,5 segundos alguém morre de fome? Permita-me não achar normal.
Cerca de 815 milhões de pessoas passam fome no mundo.

A cada 3,5 segundos, uma pessoa morre de fome. Enquanto Joey gastava 10 minutos comendo, 171 pessoas morriam famintas. Enquanto se ouviam as palmas e gritos alegres na "festinha", o silêncio da fome consumia milhões.

terça-feira, 10 de junho de 2008

O olhar de Deus

Dia 08 de junho de 2008, domingo passado. Umas 16h, mais ou menos.
Possa ser que um dia eu esqueça todos esses detalhes, mas o que eu vi e vivi foi eternizado. O local e o motivo de eu estar lá, agora, pouco importam. De tudo, fique com essa informação: foi ali que eu descobri o verdadeiro significado de "amar o próximo como a mim mesmo". Foi nesse exato momento, que todos os meus "achismos" do que é o amor, acabaram-se.

Era uma adoração. Eu estava um pouco à frente de todas aquelas pessoas. Então, chegou o momento de buscar quem estava lá trás, para ficar mais perto do Santíssimo. Pequenez a minha, não perceber que ali, minhas mãos se tornariam uma ponte para aproximar um coração humano e sofrido, do coração misericordioso de Deus.
Busquei aquela mulher, que ao fundo, permanecia estática. Estendi minha mão, e senti a frieza do seu corpo. Caminhamos juntas. Ao chegar, segurei suas duas mãos, ficando de frente a ela. Foi sugerido que nos olhássemos nos olhos. Fixei meu olhar, naqueles olhos verdes escuro, que, de repente, foram marejando. Minhas mãos foram apertadas com força, cada vez mais força. Seus olhos se fecharam, não eram capazes de me encarar. Senti seu corpo esquentando. Depois, tremendo. Um momento de oração se fez presente nas dezenas de lábios que ali estavam. Aquela mulher, antes estática, chorava. Chorava domindada por uma emoção que eu desconhecia. E então, por alguma fração de segundos, ela me encarou. Nossos olhares se encontraram.

Eu pensei saber a razão de estar ali, mas não. A minha razão seria revelada por uma desconhecida que me fitou com os olhos do coração. Plural que ficou singular, pela força de olhares que se encontraram, por acaso. Pensei que levara comigo as causas dos meus louvores, de repente, ali, fui surpreendida pelo olhar de Deus nos olhos daquela mulher. Então, eu a amei. Repito, sem medo de ser hipócrita, naquele momento, eu a amei. Amei. E não foi qualquer amor. Foi o amor que passou primeiro em Deus, pra depois chegar em mim. Foi o amor pelo meu próximo. Foi o amor por Deus. Foi o amor por mim.
Nenhuma pessoa pode ter uma experiência com Deus se não for pelo amor a si própria, pelo respeito por si mesma. O amor a Deus passa o tempo todo pelo cuidado que eu tenho com a minha vida, com a minha história.

Enfim, tudo terminou num longo e apertado abraço. Ao seu ouvido eu disse: força. E, junto com um choro, escutei de volta: obrigada, muito obrigada.
E minha história, naquela tarde de domingo, numa fração de segundos, foi enriquecida por uma vida inteira.